quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Contribuindo com a seguinte questão do Obvious:

"Redes Sociais e Colaboração Extrema: O Fim do Senso Crítico?
A partilha de informações ganhou proporções nunca imaginadas com a popularização das redes sociais. Ganhamos agilidade na troca de informações e estamos mais próximos. Mas a troca indiscriminada de informações descontextualizadas e humor portátil deixa uma questão em aberto: estamos perdendo o senso crítico? - Eugênio Mira"

Até entendo a preocupação, mas acredito que está tudo de acordo, como tudo que é novo e, o mais bacana, possível para muitos/plural - um espaço de descoberta, experimentação e amadurecimento no tempo de cada um (ou não, qual o problema?!), um processo jamais imaginado há alguns "minutos" na história... Estamos nos comunicando, é o que importa!
Ainda nem temos experiências suficientes e "legítimas de democracia de fato/na prática, no mundo (ainda é tudo muito financiado-teórico-conduzido-controlado-regulado-manipulado-pulverizado, só a contínua experimentação prática coletiva traduzirá o que poderá vir a ser essa tal "democracia"); temos apenas o início das fundações de um projeto de construção, já sentida por muitos, mas ainda subjetiva para a maioria ocupada com sua manutenção e sobrevivência".

Pensando através do tempo, podemos afirmar que até somos uma civilização caminhante (mesmo que "em passos lentos de formiga e sem vontade", já diz o poeta), nunca parada. Talvez nem haja uma evolução/transição para um "democrático", mas sim a continuidade de um processo que se dará gradualmente, como tudo que é possível ser experimentado - em altos e baixos (o fluxo e o refluxo).
E no "virtual" já estamos acelerados e acelerando esta permissão de experiência-processo em nós mesmos (não importa QUEM), a comunicação individual-global é um fato. E pouco importa se é áudio, vídeo ou com que estilo de escrita, símbolos, o importante é que tudo é signo que, de alguma forma, é "entendível", que se "resignifica" através de sua disseminação por inimagináveis contextos individuais. Afinal, o cérebro não precisa, necessariamente, de muitos símbolos/sígnos para ter entendimento, ou juízo, pois esse processo também resulta de necessidades e amadurecimentos individuais, diversamente contextualizados.

Com certeza "MUITOS" sairão mais críticos destas experimentações de liberdades (ninguém sairá mais o mesmo) que DEVEM e PRECISAM continuar democráticas, que apenas cada um cuide de suas próprias regulamentações de acordo com suas necessidades, amadurecimento e entendimento, sem INTERFERÊNCIAS de NINGUÉM, principalmente do Estado.
A intercomunicação/interação (que é hiper), é inerente a vida/existência (macro/"galáxias" e micro/"invisíveis") - tudo está, sempre esteve e estará infinitamente interagindo com tudo. Nós é que nos colocamos à parte, como "Superiores".
Dos tempos dos rabiscos nas cavernas e dos sinais de fumaça, às cores e modelitos das roupas, dos acessórios, das tatuagens, os gestos etc, tudo é sígno, tudo é comunicação, tudo é expressão, é revelação.

Ainda estamos aprendendo a nos expressar e no início é assim mesmo, como alguém já citou aqui nos comentários, por afinidade copiamos, reproduzimos e distribuímos, naturalmente também começaremos a filtrar mais esse "Copiar-Colar"...
É como a experiência antiga do microfone aberto em praça pública: as pessoas chegam, olham curiosamente o microfone e ao redor sem dizer nada, outras começam a falar mal dos vizinhos, contam piadas preconceituosas, se queixam dos traídores, xingam, berram, fazem gracinha e, quando começam a aparecer os que reclamam seus direitos, questionam os políticos, criticam o sistema, elas próprias se intimidam. Ou seja, "desenvolvem" o bom senso, a auto-crítica... talvez também vá por aí.
Senão, não se esqueça: no virtual você mesmo tem o poder divino de deus para mandá-los para o inferno (delete) alertando-os que estão no grupo/afinidade errado...

Fernando Fernandes

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