segunda-feira, 8 de junho de 2020

A SOCIEDADE EM REDE: A ERA DA INFORMAÇÃO ECONOMIA E SOCIEDADE E O PODER DA IDENTIDADE

Escrito por Júlia Pinheiro da Silva Corrêa, acadêmica de Psicologia da Estácio de Sá, Macaé.

A SOCIEDADE EM REDE: A ERA DA INFORMAÇÃO ECONOMIA E SOCIEDADE E O PODER DA IDENTIDADE

1. INTRODUÇÃO
A partir da segunda metade do século XX a sociedade passa por grandes inovações trazidas pela tecnologia digital, marcando assim o início da Era da Informação em Rede. Esta traz consigo mudanças nos meios de produção, no campo empregatício e nos meios de comunicação através do uso de celulares e computadores conectados à internet.
Partiremos, assim como o sociólogo Manuel Castells, da Revolução da Tecnologia da Informação para analisar a complexidade da nova economia, sociedade e cultura em formação para então chegar à construção da identidade e da imagem do Eu.
No início dos anos 70, por conta da influência da cultura da liberdade e incentivo ao empreendedorismo, apesar de não ser de sua intenção, as redes de informação difundiram o espírito libertário e diversos movimentos sociais. A internet agiria como uma ferramenta de comunicação para difundir opiniões e se agrupar com pessoas que possuíam interesses afins.
Já a partir dos anos 80 a tecnologia da informação foi fundamental para reestruturação do capitalismo bem como para aumentar os meios de produção, tirando os EUA da crise, afinal seu papel é atender ao sistema. No entanto, colaborou também para o surgimento de uma nova estrutura social associada de um novo modo de desenvolvimento, denominado por Castells de Informacionalismo. Neste contexto as instituições sociais são constituídas para impor o cumprimento das relações de poder existentes em cada período histórico, inclusive nos contratos sociais. As relações familiares e sexuais estruturam a personalidade e moldam a interação simbólica. (Castells, 1999: 51) A comunicação simbólica associada ao poder gera culturas e identidades coletivas.
A informacionalização e o capitalismo norteiam a noção de produtividade e os meios de produção, caminhando em direção ao pós industrialismo, marcando a mudança da economia de produção de bens para prestação de serviços. Seguindo esse raciocínio, a medida que a tecnologia e a informacionalização aumentam, o emprego de mão de obra humana vai se tornando desnecessário. Estaríamos, nós, caminhando para uma sociedade sem empregos? Podemos dizer que não na teoria, pois a medida que algumas funções se extinguem, outras são criadas. Esse equilíbrio em tese é norteado pelo estado e pela evolução da sociedade.
A partir da discussão acima, percebemos a influência da rede, através de seu controle do padrão de sociedade e empregos, na construção da nossa identidade, da imagem que temos de nós mesmos e até mesmo de algumas patologias como podemos observar no relato abaixo:
A nova vida profissional de Linda não deixa de apresentar inconvenientes. O maior deles é uma ansiedade constante pela procura do próximo emprego.  Em certos aspectos, Linda sente-se sozinha e vulnerável. Temerosa do estigma de ter sido demitida. Por exemplo, ela não quer que seu nome apareça neste artigo. Mas a liberdade de ser chefe de si mesma compensa a insegurança. Linda consegue fazer seus horários em função de seu filho. Consegue escolher seus trabalhos. E é pioneira da nova força de trabalho. (Newsweek ,14 de junho de 1993: 17). 
2. POLÍTICA INFORMACIONAL E CRISE NA DEMOCRACIA
Partindo do conceito de Castells: A política em rede é a política da mídia, por ele denominada de política informacional. 
Hoje, assim como antigamente, a política se vale das mídias para chegar ao seu objetivo, antes através da televisão e do rádio e atualmente através das redes sociais informatizadas. Tem sido nessas redes que os políticos fazem seu marketing pessoal e partidário. Hoje, inclusive, estamos vivendo o momento mais popular das Fakenews,  candidatos que se valem dessa maneira antiética e até mesmo criminosa, difundindo notícias mentirosas para alienar o povo e alcançar seus interesses escusos. Analisando com um olhar mais crítico é possível perceber que os políticos com mais poder aquisitivo dominam a maior parte da rede e têm suas notícias (falsas ou não) alcançando uma parcela maior da população. “O assassinato do caráter é o modo mais eficiente de conquistar o poder.” (Castells, 2018: n.p)
3. A CULTURA DA VIRTUALIDADE REAL E O FIM DAS CIDADES
As redes sociais são uma tentativa de encurtamento das distâncias geográficas, ao passo que significam o distanciamento das proximidades físicas. Se o papel dessas sociedades em rede é emular a convivência social física até que ponto elas comprometeriam a nossa comunidade real, física, não virtual, e até mesmo o nosso conceito de cidade? Apesar de tantas redes informatizadas ainda somos humanos, animais sociais que precisam de alguma mínima forma nos agruparmos. Apesar das redes sociais virtuais suprirem, até certo ponto, as carências de alguns indivíduos a noção do que é real contra ataca. “Quem vive vidas paralelas nas telas estão, não obstante ligados pelo desejo, dor, e mortalidade de suas personalidades físicas.” (Castells, 2002: n.p)
A rede se tornou um grande recurso para a fuga da realidade frustrante, levando-nos a realização do Eu, seja com videogames sádicos ou com exposição da nossa imagem impondo uma felicidade muitas vezes inexistente. A rede abriu caminho para a Sociedade do Espetáculo. 
Como dito antes, a informacionalização segue a sociedade, logo, a gosto da sociedade, seria possível a vida somente em rede, descartando as convenções sociais reais como vemos e diversas obras de ficção? A resposta mais provável é não. O estado ainda é responsável pela manutenção e funcionamento de órgão públicos, promoção de saúde dentre outras questões que ainda exigem que nós não nos desconectemos totalmente do mundo físico para ascender apenas em rede.
4. ESTADO E PODER, GLOBALIZAÇÃO E AMBIENTALISMO
Seu problema é o mesmo que o de muita gente. Está relacionado à doutrina socioeconômica conhecida como “neoliberalismo”. Trata-se de um problema metateórico. É o que lhe digo. Você parte da premissa de que o “neoliberalismo” é uma doutrina. E tomando você como exemplo refiro-me a todos aqueles que acreditam em esquemas tão rígidos e quadrados como suas cabeças. Você acha que o “neoliberalismo” é uma doutrina capitalista criada para enfrentar crises econômicas que o capitalismo atribui ao “populismo”. Bem, na verdade o “neoclassicismo” não é uma teoria para explicar ou enfrentar crises. Ao invés disso, é a própria crise, transformada em teoria e doutrina econômica! Isso quer dizer que o “neoliberalismo” não tem a mínima coerência, muito menos planos ou perspectivas históricas. Em outras palavras, é pura baboseira teórica. (DURITO, CONVERSANDO COM O SUBCOMANDANTE MARCOS NA FLORESTA DE LACANDON, 1994, apud CASTELLS, 2018) 
O advento da informacionalização impulsionou o processo de globalização que acentuou problemas sócios econômicos por todo o mundo. Nesse cenário as empresas transnacionais passaram a controlar tudo que puderam de acordo com seus interesses econômicos, o que acentua as desigualdades sociais. 
A partir disso a articulação da sociedade civil em rede passou a se organizar, muito através das redes sociais, culminando em ONGS e movimentos ambientalistas para lutar por uma política econômica, social e ambiental mais igualitária.
Tendo a rede de informações, internet, como campo para explanação de opiniões e aproximação dos distantes é possível organizar com maior facilidade frentes que discordem da situação dos Estados, culminando em articulação de movimentos sociais contra ou a favor da situação. Nesse contexto nascem os “rebeldes”, contrários a Globalização. Boa parte do sucesso do movimento ambientalista deve-se ao fato de que, mais do que qualquer outra força social, esta demonstra notável capacidade de adaptação as condições de comunicação e mobilização apresentadas pelo novo paradigma tecnológico, como, por exemplo, o Greenpeace, cuja a lógica está totalmente orientada para criação de eventos que mobilizem a opinião pública em torno de questões específicas, pela diminuição da permissão do uso do agrotóxico, a preservação da vida marinha, da Floresta Amazônica, no objetivo de exercer pressão sobre o poder instituído, Estado, seja ele qual for.














REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. São Paulo, Paz e Terra, 1993.
CASTELLS, Manuel. O Poder da Identidade. Rio De Janeiro / São Paulo, Paz e Terra, 2018.
AZEVEDO, Jefferson. A coisificação do eu e a personificação da coisa na sociedade em rede: do normal ao patológico – dependência psíquica e estruturações de identidades. Campos dos Goytacazes, RJ, 2013.
NUNES, Leonardo. Notoriedade dos Movimentos Ambientalistas: Causas e Efeitos. Portal NetSaber Artigos. Disponibilizado em < http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_19339/artigo_sobre_notoriedade_dos_movimentos_ambientalistas:_as_causas_e_efeitos>.  Acesso em 05 de maio de 2020.
FRANCISCO, Wagner. Movimentos Antiglobalização. Portal Brasil Escola. Disponibilizado em < https://brasilescola.uol.com.br/geografia/movimentos-antiglobalizacao.htm>. Acesso em 06 de maio de 2020.

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