segunda-feira, 8 de junho de 2020

A SOCIEDADE EM REDE: A ERA DA INFORMAÇÃO ECONOMIA E SOCIEDADE E O PODER DA IDENTIDADE

Escrito por Júlia Pinheiro da Silva Corrêa, acadêmica de Psicologia da Estácio de Sá, Macaé.

A SOCIEDADE EM REDE: A ERA DA INFORMAÇÃO ECONOMIA E SOCIEDADE E O PODER DA IDENTIDADE

1. INTRODUÇÃO
A partir da segunda metade do século XX a sociedade passa por grandes inovações trazidas pela tecnologia digital, marcando assim o início da Era da Informação em Rede. Esta traz consigo mudanças nos meios de produção, no campo empregatício e nos meios de comunicação através do uso de celulares e computadores conectados à internet.
Partiremos, assim como o sociólogo Manuel Castells, da Revolução da Tecnologia da Informação para analisar a complexidade da nova economia, sociedade e cultura em formação para então chegar à construção da identidade e da imagem do Eu.
No início dos anos 70, por conta da influência da cultura da liberdade e incentivo ao empreendedorismo, apesar de não ser de sua intenção, as redes de informação difundiram o espírito libertário e diversos movimentos sociais. A internet agiria como uma ferramenta de comunicação para difundir opiniões e se agrupar com pessoas que possuíam interesses afins.
Já a partir dos anos 80 a tecnologia da informação foi fundamental para reestruturação do capitalismo bem como para aumentar os meios de produção, tirando os EUA da crise, afinal seu papel é atender ao sistema. No entanto, colaborou também para o surgimento de uma nova estrutura social associada de um novo modo de desenvolvimento, denominado por Castells de Informacionalismo. Neste contexto as instituições sociais são constituídas para impor o cumprimento das relações de poder existentes em cada período histórico, inclusive nos contratos sociais. As relações familiares e sexuais estruturam a personalidade e moldam a interação simbólica. (Castells, 1999: 51) A comunicação simbólica associada ao poder gera culturas e identidades coletivas.
A informacionalização e o capitalismo norteiam a noção de produtividade e os meios de produção, caminhando em direção ao pós industrialismo, marcando a mudança da economia de produção de bens para prestação de serviços. Seguindo esse raciocínio, a medida que a tecnologia e a informacionalização aumentam, o emprego de mão de obra humana vai se tornando desnecessário. Estaríamos, nós, caminhando para uma sociedade sem empregos? Podemos dizer que não na teoria, pois a medida que algumas funções se extinguem, outras são criadas. Esse equilíbrio em tese é norteado pelo estado e pela evolução da sociedade.
A partir da discussão acima, percebemos a influência da rede, através de seu controle do padrão de sociedade e empregos, na construção da nossa identidade, da imagem que temos de nós mesmos e até mesmo de algumas patologias como podemos observar no relato abaixo:
A nova vida profissional de Linda não deixa de apresentar inconvenientes. O maior deles é uma ansiedade constante pela procura do próximo emprego.  Em certos aspectos, Linda sente-se sozinha e vulnerável. Temerosa do estigma de ter sido demitida. Por exemplo, ela não quer que seu nome apareça neste artigo. Mas a liberdade de ser chefe de si mesma compensa a insegurança. Linda consegue fazer seus horários em função de seu filho. Consegue escolher seus trabalhos. E é pioneira da nova força de trabalho. (Newsweek ,14 de junho de 1993: 17). 
2. POLÍTICA INFORMACIONAL E CRISE NA DEMOCRACIA
Partindo do conceito de Castells: A política em rede é a política da mídia, por ele denominada de política informacional. 
Hoje, assim como antigamente, a política se vale das mídias para chegar ao seu objetivo, antes através da televisão e do rádio e atualmente através das redes sociais informatizadas. Tem sido nessas redes que os políticos fazem seu marketing pessoal e partidário. Hoje, inclusive, estamos vivendo o momento mais popular das Fakenews,  candidatos que se valem dessa maneira antiética e até mesmo criminosa, difundindo notícias mentirosas para alienar o povo e alcançar seus interesses escusos. Analisando com um olhar mais crítico é possível perceber que os políticos com mais poder aquisitivo dominam a maior parte da rede e têm suas notícias (falsas ou não) alcançando uma parcela maior da população. “O assassinato do caráter é o modo mais eficiente de conquistar o poder.” (Castells, 2018: n.p)
3. A CULTURA DA VIRTUALIDADE REAL E O FIM DAS CIDADES
As redes sociais são uma tentativa de encurtamento das distâncias geográficas, ao passo que significam o distanciamento das proximidades físicas. Se o papel dessas sociedades em rede é emular a convivência social física até que ponto elas comprometeriam a nossa comunidade real, física, não virtual, e até mesmo o nosso conceito de cidade? Apesar de tantas redes informatizadas ainda somos humanos, animais sociais que precisam de alguma mínima forma nos agruparmos. Apesar das redes sociais virtuais suprirem, até certo ponto, as carências de alguns indivíduos a noção do que é real contra ataca. “Quem vive vidas paralelas nas telas estão, não obstante ligados pelo desejo, dor, e mortalidade de suas personalidades físicas.” (Castells, 2002: n.p)
A rede se tornou um grande recurso para a fuga da realidade frustrante, levando-nos a realização do Eu, seja com videogames sádicos ou com exposição da nossa imagem impondo uma felicidade muitas vezes inexistente. A rede abriu caminho para a Sociedade do Espetáculo. 
Como dito antes, a informacionalização segue a sociedade, logo, a gosto da sociedade, seria possível a vida somente em rede, descartando as convenções sociais reais como vemos e diversas obras de ficção? A resposta mais provável é não. O estado ainda é responsável pela manutenção e funcionamento de órgão públicos, promoção de saúde dentre outras questões que ainda exigem que nós não nos desconectemos totalmente do mundo físico para ascender apenas em rede.
4. ESTADO E PODER, GLOBALIZAÇÃO E AMBIENTALISMO
Seu problema é o mesmo que o de muita gente. Está relacionado à doutrina socioeconômica conhecida como “neoliberalismo”. Trata-se de um problema metateórico. É o que lhe digo. Você parte da premissa de que o “neoliberalismo” é uma doutrina. E tomando você como exemplo refiro-me a todos aqueles que acreditam em esquemas tão rígidos e quadrados como suas cabeças. Você acha que o “neoliberalismo” é uma doutrina capitalista criada para enfrentar crises econômicas que o capitalismo atribui ao “populismo”. Bem, na verdade o “neoclassicismo” não é uma teoria para explicar ou enfrentar crises. Ao invés disso, é a própria crise, transformada em teoria e doutrina econômica! Isso quer dizer que o “neoliberalismo” não tem a mínima coerência, muito menos planos ou perspectivas históricas. Em outras palavras, é pura baboseira teórica. (DURITO, CONVERSANDO COM O SUBCOMANDANTE MARCOS NA FLORESTA DE LACANDON, 1994, apud CASTELLS, 2018) 
O advento da informacionalização impulsionou o processo de globalização que acentuou problemas sócios econômicos por todo o mundo. Nesse cenário as empresas transnacionais passaram a controlar tudo que puderam de acordo com seus interesses econômicos, o que acentua as desigualdades sociais. 
A partir disso a articulação da sociedade civil em rede passou a se organizar, muito através das redes sociais, culminando em ONGS e movimentos ambientalistas para lutar por uma política econômica, social e ambiental mais igualitária.
Tendo a rede de informações, internet, como campo para explanação de opiniões e aproximação dos distantes é possível organizar com maior facilidade frentes que discordem da situação dos Estados, culminando em articulação de movimentos sociais contra ou a favor da situação. Nesse contexto nascem os “rebeldes”, contrários a Globalização. Boa parte do sucesso do movimento ambientalista deve-se ao fato de que, mais do que qualquer outra força social, esta demonstra notável capacidade de adaptação as condições de comunicação e mobilização apresentadas pelo novo paradigma tecnológico, como, por exemplo, o Greenpeace, cuja a lógica está totalmente orientada para criação de eventos que mobilizem a opinião pública em torno de questões específicas, pela diminuição da permissão do uso do agrotóxico, a preservação da vida marinha, da Floresta Amazônica, no objetivo de exercer pressão sobre o poder instituído, Estado, seja ele qual for.














REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. São Paulo, Paz e Terra, 1993.
CASTELLS, Manuel. O Poder da Identidade. Rio De Janeiro / São Paulo, Paz e Terra, 2018.
AZEVEDO, Jefferson. A coisificação do eu e a personificação da coisa na sociedade em rede: do normal ao patológico – dependência psíquica e estruturações de identidades. Campos dos Goytacazes, RJ, 2013.
NUNES, Leonardo. Notoriedade dos Movimentos Ambientalistas: Causas e Efeitos. Portal NetSaber Artigos. Disponibilizado em < http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_19339/artigo_sobre_notoriedade_dos_movimentos_ambientalistas:_as_causas_e_efeitos>.  Acesso em 05 de maio de 2020.
FRANCISCO, Wagner. Movimentos Antiglobalização. Portal Brasil Escola. Disponibilizado em < https://brasilescola.uol.com.br/geografia/movimentos-antiglobalizacao.htm>. Acesso em 06 de maio de 2020.

terça-feira, 10 de julho de 2012


Despedida
Por Eduardo Chaves
Muitas vezes ficava observando o nosso louco vai e vem. Todos dividindo o mesmo espaço, mas ao mesmo tempo tão distantes, “para onde estão indo com tanta pressa?” “Quais são suas histórias, medos e objetivos?”
Havia um pensamento que li nessa época que traduzia muito bem bem sentimento: “... as pessoas vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido.” Conheci muitos profissionais, principalmente de setores da área social, que infelizmente viviam segundo esse frase, pelo menos em seu campo de trabalho, pois seus discursos eram cheios de vida e energia, por outro lado estavam mortos e vazios por não serem colocados em prática.
Pouco tempo depois conheci uma pessoa que se mostrava o oposto do mesmo, e isso era perceptivo a cada dia, em cada simples detalhe de sua vida, em pequenas atitudes como separar o próprio lixo e, principalmente, já ter pensado antes na real necessidade de produzi-lo ou não no lugar de apenas consumir e querer se ver livre dos dejetos, como geralmente fazemos.
É, meu grande amigo Fernando! Ser responsável por nossas próprias ações implica em querermos estar conscientes a cada pequeno detalhe das nossas vidas. Realmente como aquela frase na camisa: “Devemos ser a mudança que queremos ver!” Pude ver em você o real significado de esforço, sinceridade, amizade e dedicação. Pude ver o que uma Instituição/ong é mais que uma organização técnica, burocrática, mas um reflexo daquelas que a idealizavam, por isso acreditei na ACEERCOM.
Depois de te conhecer, consigo agora, ver o outro ângulo daquela frase: Algumas pessoas conseguem viver e morrer a cada dia como a simplicidade do nascer e por do sol, por isso quando partem ainda assim vivem como se nunca tivessem morrido.
Muitos obrigado por todas as lições e exemplos, pelas longas conversas, trocas de experiências, delírios e angústias compartilhadas.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Divulgando Fórum ICMS Verde

Divulgação colaborativa e voluntária: Fernando Fernandes

Divulgando Projeto Promotores da Vida

Projeto Promotores da Vida 
qualificará 720 pessoas
Parceria entre Vital Brazil e Petrobras promoverá cursos gratuitos em 11 municípios do Rio

A partir do dia 16 de janeiro, até o dia 30, estão abertas as inscrições do Projeto Promotores da Vida, uma parceria entre o Instituto Vital Brazil e a Petrobras. O projeto vai beneficiar 720 pessoas dos 11 municípios que fazem parte do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). São eles: Cachoeiras de Macacu, Casimiro de Abreu, Guapimirim, Itaboraí, MAGÉ, Maricá, Niterói, Rio Bonito, São Gonçalo, Silva Jardim e Tanguá.

Os primeiros dois cursos com inscrições abertas são os de auxiliar técnico de biotério e auxiliar técnico de laboratório. Ambos serão ministrados na sede do Vital Brazil, em Niterói, e terão mínimo de 18 e máximo de 20 alunos. Os cursos serão totalmente gratuitos e as aulas estão previstas para começar no dia 6 de fevereiro.

Como são cursos de qualificação, 60% das aulas serão práticas. Ao final do curso, 20% dos alunos, aqueles que se destacarem, receberão uma bolsa da Petrobras para fazer estágio. “O objetivo é qualificar as pessoas em situação de vulnerabilidade social e trazê-las para o mercado de trabalho formal. Dentro do projeto existe um estudo de empresas que poderão absorver essa mão de obra”, disse Cláudio Maurício, diretor executivo do projeto.

Esses dois primeiros cursos contemplarão os moradores dos municípios de Niterói, parte de São Gonçalo e Maricá. Podem participar pessoas com idade entre 15 e 59 anos, que estejam matriculadas no ensino público (ou que sejam egressas da rede pública de ensino) e que tenham concluído o ensino fundamental. Para se inscrever, é preciso, ainda, estar desempregado ou empregado sem carteira de trabalho assinada e possuir renda familiar mensal per capita de até meio salário mínimo, ou renda familiar mensal de até três salários mínimos.

As inscrições podem ser feitas pela internet ou pessoalmente (na sede do instituto, de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 16h30). Os candidatos deverão apresentar cópia do RG, do CPF, do título de eleitor e da carteira de trabalho; comprovante de residência; cópia do cartão do Programa Bolsa Família (caso possua); cópia da certidão de nascimento dos filhos (caso possua), comprovante de renda familiar (declaração de renda ou de hipossuficiência financeira); declaração de frequência escolar na escola pública no curso regular de educação básica (ensino fundamental ou médio) ou supletivo, ou cópia do certificado de conclusão do ensino médio ou fundamental; e, no caso de deficientes físicos, laudo médico que ateste a espécie de deficiência.

Os candidatos passarão por uma seleção.
A lista dos aprovados será divulgada no dia 1º de fevereiro, pela internet.

As aulas acontecem diariamente, em dois turnos. O curso de auxiliar técnico de biotério terá duração de três meses (360h/aula), das 8h às 12h. A duração do curso de auxiliar técnico de laboratório será de, aproximadamente, dois meses e meio (300h/aula), das 13h às 17h.

Serão dois ciclos de cursos por ano. Além do instituto, outros três polos estarão aptos a ministrar aulas: o Centro de Integração da Petrobras (em São Gonçalo), a sede do projeto (Campus Vital Brazil em Tanguá) e Fazenda Vital Brazil (Cachoeiras de Macacu). O projeto vai de encontro à intenção do Instituto Vital Brazil de se tornar um centro de ensino, por meio de cursos de qualificação e, futuramente, de especialização.

A iniciativa soma o investimento de quase R$ 1,8 milhão, sendo R$ 1,4 milhão por parte da Petrobras e R$ 163 mil por parte do instituto. A prefeitura de Tanguá, uma das cidades beneficiadas pelo projeto, também entrará com a quantia de R$ 163 mil.

Mais informações podem ser obtidas com a Ouvidoria do Instituto Vital Brazil,
pelo telefone 0800 022 1036. 
 ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO INSTITUTO VITAL BRAZIL
Rua Maestro José Botelho, 64 – Vital Brazil – Niterói – RJ – 24.230-410
Tel: +55 (21) 2711-9223 r. 187 / Fax: +55 (21) 2711-9269
E-mail: comunicacao@vitalbrazil.rj.gov.br / comunicavitalbrazil@gmail.com
Site: www.vitalbrazil.rj.gov.br
Thaís Marini
(21) 8596-6823 / 9662-2965
Carolina Maciel
(21) 8870-7007
Divulgação voluntária: Fernando Fernandes

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Contribuindo com a seguinte questão do Obvious:

"Redes Sociais e Colaboração Extrema: O Fim do Senso Crítico?
A partilha de informações ganhou proporções nunca imaginadas com a popularização das redes sociais. Ganhamos agilidade na troca de informações e estamos mais próximos. Mas a troca indiscriminada de informações descontextualizadas e humor portátil deixa uma questão em aberto: estamos perdendo o senso crítico? - Eugênio Mira"

Até entendo a preocupação, mas acredito que está tudo de acordo, como tudo que é novo e, o mais bacana, possível para muitos/plural - um espaço de descoberta, experimentação e amadurecimento no tempo de cada um (ou não, qual o problema?!), um processo jamais imaginado há alguns "minutos" na história... Estamos nos comunicando, é o que importa!
Ainda nem temos experiências suficientes e "legítimas de democracia de fato/na prática, no mundo (ainda é tudo muito financiado-teórico-conduzido-controlado-regulado-manipulado-pulverizado, só a contínua experimentação prática coletiva traduzirá o que poderá vir a ser essa tal "democracia"); temos apenas o início das fundações de um projeto de construção, já sentida por muitos, mas ainda subjetiva para a maioria ocupada com sua manutenção e sobrevivência".

Pensando através do tempo, podemos afirmar que até somos uma civilização caminhante (mesmo que "em passos lentos de formiga e sem vontade", já diz o poeta), nunca parada. Talvez nem haja uma evolução/transição para um "democrático", mas sim a continuidade de um processo que se dará gradualmente, como tudo que é possível ser experimentado - em altos e baixos (o fluxo e o refluxo).
E no "virtual" já estamos acelerados e acelerando esta permissão de experiência-processo em nós mesmos (não importa QUEM), a comunicação individual-global é um fato. E pouco importa se é áudio, vídeo ou com que estilo de escrita, símbolos, o importante é que tudo é signo que, de alguma forma, é "entendível", que se "resignifica" através de sua disseminação por inimagináveis contextos individuais. Afinal, o cérebro não precisa, necessariamente, de muitos símbolos/sígnos para ter entendimento, ou juízo, pois esse processo também resulta de necessidades e amadurecimentos individuais, diversamente contextualizados.

Com certeza "MUITOS" sairão mais críticos destas experimentações de liberdades (ninguém sairá mais o mesmo) que DEVEM e PRECISAM continuar democráticas, que apenas cada um cuide de suas próprias regulamentações de acordo com suas necessidades, amadurecimento e entendimento, sem INTERFERÊNCIAS de NINGUÉM, principalmente do Estado.
A intercomunicação/interação (que é hiper), é inerente a vida/existência (macro/"galáxias" e micro/"invisíveis") - tudo está, sempre esteve e estará infinitamente interagindo com tudo. Nós é que nos colocamos à parte, como "Superiores".
Dos tempos dos rabiscos nas cavernas e dos sinais de fumaça, às cores e modelitos das roupas, dos acessórios, das tatuagens, os gestos etc, tudo é sígno, tudo é comunicação, tudo é expressão, é revelação.

Ainda estamos aprendendo a nos expressar e no início é assim mesmo, como alguém já citou aqui nos comentários, por afinidade copiamos, reproduzimos e distribuímos, naturalmente também começaremos a filtrar mais esse "Copiar-Colar"...
É como a experiência antiga do microfone aberto em praça pública: as pessoas chegam, olham curiosamente o microfone e ao redor sem dizer nada, outras começam a falar mal dos vizinhos, contam piadas preconceituosas, se queixam dos traídores, xingam, berram, fazem gracinha e, quando começam a aparecer os que reclamam seus direitos, questionam os políticos, criticam o sistema, elas próprias se intimidam. Ou seja, "desenvolvem" o bom senso, a auto-crítica... talvez também vá por aí.
Senão, não se esqueça: no virtual você mesmo tem o poder divino de deus para mandá-los para o inferno (delete) alertando-os que estão no grupo/afinidade errado...

Fernando Fernandes

sábado, 24 de dezembro de 2011

Divulgando Magé - Aniversário do Barão de Mauá

DIA 28/12
Estação Guia de Pacobaíba
Para maiores informações
Tel. (21) 3232-9524 - Cel. (21) 7119-8564
Falar com Victor
www.trembrasil.org.br

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Conheça o Cidade Democrática

Colaborando com a Denúncia

O BRASILEIRO COME VENENO*
por Aline Scarso, do Brasil de Fato (19/8/11)
O documentarista Silvio Tendler fala sobre seu filme/denúncia contra os rumos do modelo adotado na agricultura brasileira.
 
Silvio Tendler é um especialista em documentar a história brasileira. Já o fez a partir de João Goulart, Juscelino Kubitschek, Carlos Mariguela, Milton Santos, Glauber Rocha e outros nomes importantes. Em seu último documentário, Silvio não define nenhum personagem em particular, mas dá o alerta para uma grave questão que atualmente afeta a vida e a saúde dos brasileiros: o envenenamento a partir dos alimentos.
Em O veneno está na mesa, lançado em julho, no Rio de Janeiro, o documentarista mostra que o Brasil está envenenando diariamente sua população a partir do uso abusivo de agrotóxicos nos alimentos. Em um ranking para se envergonhar, o brasileiro é o que mais consome agrotóxico em todo o mundo, sendo 5,2 litros a cada ano por habitante. As consequências, como mostra o documetário, são desastrosas.
Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Silvio Tendler diz que o problema está no modelo de desenvolvimento brasileiro. E seu filme, que também é um produto da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, capitaneada por uma dezena de movimentos sociais, nos leva a uma reflexão sobre os rumos desse modelo. Confira.
Brasil de Fato - Você que é um especialista em registrar a história do Brasil, por que resolveu documentar o impacto dos agrotóxicos sobre a agricultura e não um outro tema nacional?
Silvio Tendler – Porque a partir de agora estou querendo discutir o futuro e não mais o passado. Eu tenho todo o respeito pelo passado, adoro os filmes que fiz, adoro minha obra. Aliás, meus filmes não são voltados para o passado, são voltados para uma reflexão que ajuda a construir o presente e, de uma certa forma, o futuro. Mas estou muito preocupado. Na verdade esse filme nasceu de uma conversa minha com (o jornalista e escritor) Eduardo Galeano, em Montevidéu (no Uruguai), há uns dois anos, em que discutíamos o mundo, o futuro, a vida. E o Galeano estava muito preocupado porque o Brasil é o país que mais consumia agrotóxico no mundo. O mundo está sendo completamente intoxicado por uma indústria absolutamente desnecessária e gananciosa, cujo único objetivo realmente é ganhar dinheiro. Quer dizer, não tem nenhum sentido para a humanidade que justifique isso que se está fazendo com os seres humanos e a própria terra. A partir daí resolvi trabalhar essa questão. Conversei com o João Pedro Stédile (coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), e ele disse que estavam preocupados com isso também. Por coincidência, surgiu a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos, movida por muitas entidades, todas absolutamente muito respeitadas e respeitáveis. Fizemos a parceria e o filme ficou pronto. É um filme que vai ter desdobramentos, porque eu agora quero trabalhar essas questões.
Então seus próximos documentários deverão tratar desse tema?
Para você ter uma ideia, no contrato inicial desse documentário consta que ele seria feito em 26 minutos, mas é muita coisa para falar. Então ficou em 50 (minutos). E as pessoas quando viram o filme, ao invés de me dizerem “está muito longo”, disseram “está curto, você tem que falar mais”. Quer dizer, tem que discutir outras questões, e aí eu me entusiasmei com essa ideia e estou querendo discutir temas conexos à destruição do planeta por conta de um modelo de desenvolvimento perverso que está sendo adotado. Uma questão para ser discutida de forma urgente, que é conexa a esse filme, é o agronegócio. É o modelo de desenvolvimento brasileiro. Quer dizer, porque colocar os trabalhadores para fora da terra deles para que vivam de forma absolutamente marginal, provocando o inchaço das cidades e a perda de qualidade de vida para todo mundo, já que no espaço onde moravam cinco, vão morar 15? Por que se plantou no Brasil esse modelo que expulsa as pessoas da terra para concentrar a propriedade rural em poucas mãos, esse modelo de desenvolvimento, todo ele mecanizado, industrializado, desempregando mão de obra, para que algumas pessoas tenham um lucro absurdo? E tudo está vinculado à exploração predatória da terra. Por que nós temos que desenvolver o mundo, a terra, o Brasil em função do lucro e não dos direitos do homem e da natureza? Essas são as questões que quero discutir.
Você também mostrou que, até mesmo os trabalhadores que não foram expulsos do campo, estão morrendo por aplicarem agrotóxicos nas plantações. O impacto na saúde desses agricultores é muito grande…
É mais grave que isso. Na verdade, o cara é obrigado a usar o agrotóxico. Se ele não usar o agrotóxico, ele não recebe o crédito do banco. O banco não financia a agricultura sem agrotóxico. Inclusive, tem um camponês que fala isso no filme, o Adonai. Ele conta que no dia em que o inspetor do banco vai à plantação verificar se ele comprou os produtos, se você não tiver as notas da semente transgênica, do herbicida, etc., você é obrigado a devolver o dinheiro. Então não é verdade que se dá ao camponês agricultor o direito de dizer “não quero plantar transgênico”, “não quero trabalhar com herbicidas”, “quero trabalhar com agricultura orgânica, natural”. Porque para o banco, a garantia de que a safra vai vingar não é o trabalho do camponês e a sua relação com a terra, são os produtos químicos que são usados para afastar as pestes, afastar pragas. Esse modelo está completamente errado. O camponês não tem nenhum tipo de crédito alternativo, que dê a ele o direito de fazer um outro tipo de agricultura. E aí você deixa as pessoas morrendo como empregadas do agronegócio, como tem o Vanderlei, que é mostrado no filme. Depois de três anos fazendo a tal da mistura dos agrotóxicos, morreu de uma hepatopatia grave. Tem outra senhora, de 32 anos, que está ficando totalmente paralítica por conta do trabalho dela com agrotóxico na lavoura do fumo.
A impressão que dá é que os brasileiros estão se envenenando sem saber. Você acha que o filme pode contribuir para colocar o assunto em discussão?
Eu acho que a discussão é exatamente essa, a discussão é política. Eu, de uma certa maneira, despolitizei propositadamente o documentário. Eu não queria fazer um discurso em defesa da reforma agrária ou contra o agronegócio para não politizar a questão, para não parecer que, na verdade, a gente não quer comer bem, a gente quer dividir a terra. E são duas coisas que, apesar de conexas, eu não quis abordar. Eu não quis, digamos assustar a classe média. Eu só estou mostrando os malefícios que o agrotóxico provoca na vida da gente para que a classe média se convença de que tem que lutar contra os agrotóxicos, que é uma luta que não é individual, é uma luta coletiva e política. Tem muita gente que parte do princípio “ah, então já sei, perto da minha casa tem uma feirinha orgânica e eu vou me virar e comer lá”, porque são pessoas que têm maior poder aquisitivo e poderiam comprar. Mas a questão não é essa. A questão é política, porque o agrotóxico está infiltrado no nosso cotidiano, entendeu? Queira você ou não, o agrotóxico chega à sua mesa através do pão, da pizza, do macarrão. O trigo é um trigo transgênico e chega a ser tratado com até oito cargas de pulverizador por ano. Você vai na pizzaria comer uma pizza deliciosa e aquilo ali tem transgênico. O que você está comendo na sua mesa é veneno. Isso independe de você. Hoje nada escapa. Então, ou você vai ser um monge recluso, plantando sua hortinha e sua terrinha, ou você é uma pessoa que vai ficar exposta a isso e será obrigada a consumir.
Como você avalia o governo Dilma a partir dessa política de isenção fiscal para o uso de agrotóxico no campo brasileiro?
Deixa eu te falar: o governo Dilma está começando agora, não tem nem um ano, então não dá para responsabilizá-la por essa política. Na verdade esse filme vai servir de alerta para ela também. Muitas das coisas que são ditas no filme, eles (o governo) não têm consciência. Esse filme não é para se vingar de ninguém. É para alertar. Quer dizer, na verdade você mora em Brasília, você está longe do mundo, e alguém diz para você “ah, isso é frescura da esquerda, esse problema não existe”, e os relatórios que colocam na sua mesa omitem as pessoas que estão morrendo por lidar diretamente com agrotóxico. Vão todas (as mortes) para as vírgulas das estatísticas, entendeu? Acho que está na hora de mostrar que muitas vidas não seriam sacrificadas se a gente partisse para um modelo de agricultura mais humano, mais baseado nos insumos naturais, no manejo da terra, ao invés de intoxicar com veneno os rios, os lagos, os açudes, as pessoas, as crianças que vivem em volta, entendeu? Eu acho que seria ótimo se esse filme chegasse nas mãos da presidenta e ela pudesse tomar consciência desse modelo que nós estamos vivendo e, a partir daí, começasse a mudar as políticas.
No documentário você optou por não falar com as empresas produtoras de agrotóxicos. Essa ideia ficou para um outro documentário?
É porque eu não quis fazer um filme que abrisse uma discussão técnica. Se as empresas reclamarem muito e pedirem para falar, eu ouço. Eu já recebi alguns pedidos e deixei as portas abertas. No Ceará, eu filmei um cara que trabalha com gado leiteiro que estava morrendo contaminado por causa de uma empresa vizinha. Eu filmei, a empresa vizinha reclamou e eu deixei a porta aberta, dizendo “tudo bem, então vamos trabalhar em breve isso num outro filme”. Se as empresas que manipulam e produzem agrotóxico me chamarem para conversar, eu vou. E vou me basear cientificamente na questão porque eles também são craques em enrolar. Querem provar que você está comendo veneno e tudo bem (risos). E eu preciso de subsídios para dizer que não, que aquele veneno não é necessário para a minha vida. Nesse primeiro momento, eu quis botar a discussão na mesa. Algumas pessoas já começaram a me assustar, “você vai tomar processo”, mas eu estou na vida para viver. Se o cara quiser me processar por um documentário no qual eu falei a verdade, ele processa pois tem o direito. Agora, eu tenho direito como cineasta, de dizer o que eu penso.
Esse filme será lançado somente no Rio de Janeiro ou em outras capitais também?
Eu estou convidado também para ir para Pernambuco em setembro, mas o filme pode acontecer independente de mim. Esse filme está saindo com o selinho de “copie e distribua”. Ele não será vendido. A gente vai fazer algumas cópias e distribuir dentro do sentido de multiplicação, no qual as pessoas recebem as cópias, fazem novas e as distribuem. O ideal é que cada entidade, e são mais de 20 bancando a Campanha, consiga distribuir pelo menos mil unidades. De cara você tem 20 mil cópias para serem distribuídas. E depois nós temos os estudantes, os movimentos sociais e sindicais, os professores. Vai ser uma discussão no Brasil. Temos que levar esse documentário para Brasília, para o Congresso, para a presidenta da República, para o ministro da Agricultura, para o Ibama. Todo mundo tem que ver esse filme.
A expectativa é boa então?
Sim. Eu sou um otimista. Sempre fui.
* Publicado originalmente no site Brasil de Fato.
Divulgação Voluntária: Fernando Fernandes

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Divulgando Mosaico

Encontros de Comunidades do Mosaico
 Como estratégia de integração e comunicação entre as Comunidades do Mosaico Central Fluminense, objetivando, também, ampliar a participação de outras comunidades de seu entorno para incentivar a gestão participativa, foi realizado no dia 30 de julho, no Parque Estadual dos Três Picos, em Cachoeiras do Macacu (RJ.), o III Encontro de Comunidades do Mosaico Central Fluminense (MCF).
Estes encontros estão sendo realizados pela Câmara Técnica de Educação Ambiental e Divulgação do MCF em parceria com a Secretaria do Estado do Ambiente (SEA), e fazem parte da iniciativa do projeto “Nas Ondas da Mata Atlântica”, o qual integra o primeiro programa de política pública de Educomunicação Socioambiental do estado do Rio de Janeiro - Nas Ondas do Ambiente -, que surgiu no final de 2007 a partir do projeto-piloto “Rádio@Escola.Com” no município do Rio.
Os dois encontros anteriores foram realizados na sede do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO), durante os quais recebemos informações sobre o que é o Mosaico, debatemos as questões problemáticas destas unidades de conservação (UC) e pudemos refletir sobre o quanto a comunicação pode e deve fortalecer os projetos desenvolvidos dentro do MCF.
 Neste terceiro, realizado no Parque dos Três Picos, que também começou pela manhã e seguiu durante todo o dia, além de apreciarmos a beleza do lugar, assistimos um resumo dos encontros, recebemos mais informações sobre o que é o Mosaico, como foi realizado o Planejamento Estratégico que originou o seu Plano de Manejo e, em seguida, nos foi apresentado o projeto “Nas Ondas da Mata Atlântica”. Propondo envolver as comunidades e as UC, estimulando e facilitando a comunicação e o diálogo entre seus integrantes, o projeto oferece oficina de capacitação em técnicas radiofônicas e em audiovisual, priorizando o tema Mata Atlântica.
 
 

 Após o almoço, formamos dois grupos que discutiram e sugeriram algumas estratégias de comunicação e, em seguida, desenvolvemos e apresentamos um plano de comunicação para o Mosaico.
Finalizamos as atividades agendando a próxima etapa, que será um Encontrão durante os dias 21, 22, 23, 24 e 25 de setembro, no qual serão realizadas as oficinas de capacitação radiofônica e de audiovisual para os interessados, que, além de se tornarem multiplicadores destas técnicas em suas comunidades, poderão formar uma equipe de produção usando as estratégias de comunicação para integrar o Mosaico. Faltou ainda definir onde ficará instalada definitivamente a rádio comunitária e o estúdio de produção audiovisual.
Fernando Tadeu Fernandes

sábado, 23 de julho de 2011

Vamos Prestigiar Nossos Atletas e Artistas

Fernando Fernandes

Divulgando III Encontro no Mosaico

MOSAICO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA MATA ATLÂNTICA CENTRAL FLUMINENSE - MMACF

CÂMARA TÉCNICA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E DIVULGAÇÃO

A Câmara Técnica de Educação Ambiental e Divulgação do Mosaico Central Fluminense em parceria com a SEA, Secretaria de Estado do Ambiente realizam o III Encontro de Comunidades do Mosaico Central Fluminense.
Este terceiro encontro será no Parque Estadual dos Três Picos, em Cachoeira de Macacu, no dia 30 de julho. O encontro faz parte da inciativa do Projeto "Nas Ondas do Rádio", que está agora sendo desenvolvida no Mosaico Central Fluminense.A idéia é disponibilizar a uma comunidade dentro do Mosaico o equipamento de rádio, que servirá de estratégia de comunicação entre as comunidades do Mosaico Central Fluminense.
Desde o primeiro encontro as comunidades estão sendo convidadas a refletir sobre a comunicação dentro desta área preservada e o quanto a comunicação pode fortalecer os projetos desenvolvidos dentro do território do Mosaico.
Neste terceiro encontro será definido o grupo a receber o equipamento, que passará por uma formação específica para a utilização do equipamento.
Os dois primeiros encontros foram realizados no Parque Nacional da Serra dos Órgãos e este terceiro encontro será no Parque Estadual dos Três Picos, oportunizando a participação de outras comunidades do Mosaico Central Fluminense.
Todos os participantes dos encontros anteriores estão sendo convidados por e-mail, mas  serão bem vindos também outros grupos e comunidades que façam parte do território do Mosaico, mesmo não tendo participado de todos os encontros
.
PROGRAMAÇÃO:
9h - Recepção e café
10h - Revisão da Caminhada - Linha do tempo, resumo dos encontros,
11h - Mosaico - Proposta de integração do Mosaico Central Fluminense através da rádio,
12h - Almoço
13h - Grupos: Discussão sobre um plano de comunicação para o Mosaico: Como utilizar as estratégias de comunicação para integrar o Mosaico Central Fluminense?
15h - Apresentação dos planos de comunicação para o Mosaico,
16h - Escolha da comunidade a ser beneficiada na plenária,
17h - Encerramento.

Inscrições e informações pelo e-mail:
jaimebneto@ipanema.net

Divulgando trabalho-ideia-conjunta

Projeto integrado de vídeo, teatro, performance, poesia, execução musical e composição eletroacústica.
Produção:
Caio César Loures
Co-Produção:
Fernando Tadeu Fernandes
(Setembro de 2006)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Introspecções

Convicção
Insana
e Temporária
(mas autenticamente humana!)
Nesse Ringue Existencial
quero me permitir sair ferido somente
pelos meus loucos amigos.
Os inimigos, os quais desconheço, não tenho dúvidas:
caso apareçam,
os alimentarei com os próprios frutos que me ofertarem
e os conduzirei com minha ira e meu ódio
ao abismo do meu desprezo!
Fernando Fernandes (Vomitada em - 12/03/2010)

domingo, 6 de setembro de 2009

Rádios Piratas???


Qual a diferença entre
Mídia Comercial/Corporativa e
Mídia Livre e Alternativa?

A grosso modo, a primeira é que poderia ser considerada a verdadeira Pirata, pois vive em luta pelo ouro, é manipuladora e mantenedora dos poderes constituídos. Comprometida apenas com seus interesses econômicos e com suas barganhas com a estrutura do poder, só a traindo quando esses seus próprios interesses são contrariados. Transforma informação em produto e mecanismo para chantagens contra essa mesma estrutura que a alimenta.

Já a segunda, como o próprio nome sugere, é uma possibilidade de liberdade - é experimental! -, o que não a exime de responsabilidades. Seu compromisso básico é difundir, o mais democraticamente possível, as informações, sem manipulá-las em prol do poder político ou econômico, mas as vezes poderá ser parcial com seus interesses coletivos. Uma rádio comunitária pode, até certo ponto, também ser enquadrada como livre. Vai depender do grupo que a compor. O problema é que há muita gente por aí, aproveitando a ingenuidade e desinformação da população e da falta de união no próprio movimento de rádios comunitárias, usando o discurso de comunitária para praticar dois crimes contra legislação de radiodifusão comunitária: o proselitismo religioso e partidário descarados e ganhando dinheiro (e não é pouco) com a venda de espaços publicitários para políticos, religiosos e comércio local. O que os torna proprietários daquilo que se propõe coletivo. São os apelidados de "micro-empresários" de rádios comunitárias.

E uma experiência comunitária, mesmo não havendo um padrão/modelo a ser seguido, até porque ainda é uma experiência pioneira e de acordo com cada realidade regional, há princípios a serem respeitados. Mas uma coisa é clara: tem que ter, inevitavelmente, a participação de atores dessa comunidade. Do contrário, pra que instituir uma associação para funcionar uma rádio comunitária, se ela não será legitimada pela própria comunidade na qual estará inserida?

Eis a questão... pensemos nisso!

E uma mídia totalmente livre não estará preocupada com as "regras" da legislação criada especificamente para atender a organização das rádios comunitárias. Se baseia, pura e simplesmente, no direito do indivíduo se expressar livremente por qualquer meio que seja. Seu compromisso é com o ideal para o qual tenha surgido, pode funcionar com algum "regulamento" proposto pelo coletivo que a pratica e não tem uma programação convencional, vai ao ar de acordo com a necessidade, com a realidade de seu propósito e pode acabar a qualquer momento em que o objetivo tenha sido alcançado. Não compactua com o desejo da posse de propriedades. Assim, não há a necessidade de se institucionalizar.

Depois que conheci a Lei 9612/98 (19/02/98), que instituiu o serviço de radiodifusão comunitária em nosso país - legislação vigente que propõe ordem à organização das rádios comunitárias. E fiquei sabendo que nosso país também é signatário da Convenção Americana dos Direitos Humanos (http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/legislacao-pfdc/direitos-humanos/Pacto%20de%20San%20Jose%20da%20Costa%20Rica.pdf), mas conhecido como o Pacto de San José da Costa Rica (um Tratado Internacional de 1969, vigente internacionalmente a partir de julho de 1978 e ratificada pelo Brasil em setembro de 1992 ): “Esta Convenção consagra diversos direitos civis e políticos, entre outros: o direito ao reconhecimento da personalidade jurídica, o direito à vida, direito à integridade pessoal, direito à liberdade pessoal e garantias judiciais, direito à proteção da honra e reconhecimento à dignidade, à liberdade religiosa e de consciência, à liberdade de pensamento e de expressão, e o direito de livre associação.” [“(…) Se o exercício de tais direitos e liberdades não estiverem ainda assegurados na legislação ou outras disposições, os Estados membros estão obrigados a adotar as medidas legais ou de outro caráter para que venham a tornar-se efetivas (…)” - fonte: Wikipédia]. E por estar, no momento (há cinco anos), fazendo parte de um projeto de rádio comunitária em nosso município, por consequência envolvido no movimento de rádios comunitárias através de encontros, congressos, palestras, debates, etc.; minha interpretação dessa realidade sobre a questão de se institucionalizar é, de certa forma, pessimista. Se tudo isso é para “garantir” o já “garantido” direito das pessoas (todo ser humano) se organizarem para se expressarem (Artigo 5o. da Constituição Federal, IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;), e nenhuma “garantia de fato” existe para se ter a liberdade e proteção para se fazer rádios livres e/ou comunitárias, só me vem uma questão à mente: Pra que então se institucionalizar?

Eis mais outra questão... pensemos nisso!

Bem, o tema exige maior aprofundamento e um certo conhecimento histórico de como foi construída, ao longo de nossos 500 aninhos, essa rede de "podres poderes". As sutilezas que estão por trás do potencial de informar, sugere também o de manipular - por isso a ideia de "Quarto Poder". Ficar apenas na superfície desta discussão, além de muito ingênuo, é muito perigoso, pois as interpretações por falta de informação, somadas aos conteúdos subjetivos e a ansiedade de opinar, podem nos antecipar conclusões e "verdades" equivocadas.

Depois tem mais...

Fernando Fernandes

Comunicador Popular